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Entre palavras, sons e cores

Como curiosidade biográfica, JuKa Ladeira é frequentemente lembrada por sua versatilidade artística. Ao longo da vida, desenvolveu intimidade com a música tocando dezenas de instrumentos e compondo, além de se aventurar pela pintura, costura, artesanato e até marcenaria.

Essa multiplicidade de interesses costuma ser atribuída à sua flexibilidade cognitiva e à dificuldade declarada de se limitar a uma única forma de expressão.

Entre todas as artes, a música talvez tenha sido a que a acompanhou de maneira mais constante. O violão, em especial, tornou-se um instrumento de intimidade. Curiosamente, porém, JuKa mal sabe nomear acordes ou explicar tecnicamente aquilo que toca. A teoria nunca foi seu território de interesse.

O que sempre a atraiu foi outra coisa: o som em si. O desafio da prática. A descoberta pelo ouvido. A pequena satisfação de encontrar um caminho entre notas até que algo finalmente faça sentido.

Nas outras formas de expressão — como pintura e artesanato — o impulso costuma surgir de maneira simples: JuKa vê algo que a encanta e decide se desafiar a fazer. Uma vez que descobre que é capaz, a curiosidade se aquieta e ela segue adiante em busca de outro desafio criativo.

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